Boas novas para Provedores de Internet


banda larga

Nos últimos meses, uma série de notícias veiculadas na imprensa, sinalizam a intenção do governo de incentivar a chegada da Internet Banda Larga para toda a população. Essa iniciativa esbarra em muitos interesses das grandes operadores, pois altera uma de suas fontes de receita. Por outro lado deixa os Provedores de Internet em estado de alerta, uns achando que vai ser o fim, outros vendo uma nova oportunidade de trabalho.

Muitos não sabem que o Provedores de Internet passam por uma série de desafios para trabalhar de forma legalizada no Brasil. Na parte burocrática necessitam montar um projeto, submetê-lo a Anatel, cumprir todas as suas exigências, além de pagar pela licença o equivalente a R$ 9.000,00, mais custos de cadastramento de estações e impostos devidos, pois passam a ser uma empresa de telecomunicações equiparada a uma grande empresa.

Para os grandes investidores, ou seja, quem tem dinheiro para investir isso é fácil. Para pequenos empresários, alguns de pequenas cidades do interior, existem dificuldades em efetuar esse investimento. A saída, para alguns, é a clandestinidade o que causa muitos problemas tantos legais como técnicos.

Outra grande dificuldade para esses provedores é a obteção da interconexão, isto é, um circuito que ligue seu pequeno, médio, grande provedor a malha (backbone) da Internet e com isso proporcionar aos seus usuários o acesso a grande rede. Esse circuito (também conhecido como link) é fornecido por umas poucas empresas, e as operadoras de telefonia são as maiores.

Imagine um atacadista vendendo para o comércio mas também concorrendo com eles ao mesmo tempo. E mais, no varejo o produto é vendido barato e para o comércio, o mesmo produto, é vendido caro. Obviamente não pode dar certo. Os provedores de Internet compram o link a preços que podem variar de R$ 600 a 3.000 o Megabit e concorrem com as operadoras que vendem Internet para os clientes a 100/150 reais o Megabit (mensais).

Um adendo. Os puristas e técnicos de plantão poderão dizer que a conexão de um link é superior a uma conexão de cliente. Certo. Mas 1 Mega é 1 Mega nos dois casos, não dá para fazer milagre. Fecha o adendo.

Mas cade as boas novas?

São boas novas e um punhado de torcida.

O governo está criando um Plano Nacional de Banda Larga, que trata de uma série de medidas que visam facilitar o acesso a Internet Banda Larga, através de incentivos a pequenos e médios empreendedores para que atuem em áreas fora do interesse comercial das operadoras. Uma arte nessa matéria do Folha de São Paulo, dá uma idéia das vantagens criadas pelas medidas esperadas.

Convergência Digital

O site Convergência Digital tem acompanhado o assunto e sempre publicado artigos relacionados. Nessa matéria: Banda Larga: Governo bate martelo e Telebrás levará acesso à Internet onde não há ‘oferta adequada’ das teles informa que foi divulgado um fato relevante junto a Comissão de Valores Mobiliarios onde entrega a Telebrás a responsabilidade de levar a Internet Banda Larga aos interessados. O principal item é

(iii) prover infraestrutura e redes de suporte a serviços de telecomunicações prestados por empresas privadas, Estados, Distrito Federal, Municípios e entidades sem fins lucrativos;

Grifo nosso. Isso pode significar, inicialmente, que os provedores de internet poderão ter opções na obtenção de sua interconexão, hoje tão difícil.

Em outra matéria, Banda Larga: Provedores prometem levar Internet a mil cidades sem dinheiro público, surge a primeira proposta dos provedores ligados a Rede da Global Info que prometem conectar 1.000 cidades em quatro meses.

Não é nenhuma utopia, só a Global Info são 700 provedores em 23 estados, já com estrutura pronta e apenas dependentes da interconexão a custos justos. Se os cálculos e promessas do governo se concretizarem, o custo do Megabit cai para cerca de R$ 230,00 mensais. Só com essas providências os provedores de internet já existentes cobrem boa parte dos municípios brasileiros, muitos com internet via rádio.

E tem mais! Se os estudos da Anatel se concretizarem, e a licença do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) tiver seus custos reduzidos, uma grande massa de provedores ditos “piratas” passarão a se legalizar e a engrossar esse caldo.

Mapa da rede Eletronet

E tudo isso com o uso racional da rede da Eletronet, com investimentos em capilaridade dessa rede até os municípios e a parceria dos diversos provedores para fazer chegar até os usuários (a útima milha).

A  Oi pediu R$ 27 bilhões, e a Sky, calculou em R$ 15 bilhões, para a construção da última milha – ou seja, levar o acesso final aos consumidores. Custará muito menos entregar essa tarefa aos milhares de provedores existentes, a serem legalizados e até mesmo a serem criados. Basta dar a mínima condição de trabalho a essas empresas.

Essa outra matéria, Telebrás x Teles: O impacto da decisão do Governo Lula, sinaliza que as operadoras não terão vida fácil com esse novo Plano, esperamos todos que seja verdade.

Com isso, o lucro é certo: Novas empresas, novos e capilarizados empregos, além de Banda Larga para todos!

8 Respostas para “Boas novas para Provedores de Internet”

  1. Olá meu amigo!

    Gostaria de parabenizá-lo pelo site, que é sempre uma excelente fonte de informação e também pelo artigo. Muito bem colocado o que esperamos do PNBL, suas possibilidades se o interesse público realmente estiver em foco, e como o usuário final, principalmente que está distante dos grandes centros pode ser beneficiado.

    Agradeço também pelo link ao meu site na matéria que fala sobre o que é Mikrotik. Fica na paz e continue com esse belo trabalho.

    1. Luciano,

      Eu não tenho provedor mas acompanho muito o forum Under-linux que tem muitos donos de provedores. Cheguei a cogitar a montagem de um e sei das dificuldades. A grande torcida é que o governo não faça besteira, o que se tem lido até o momento dão um fio de esperança para muitos pequenos provedores, apesar do ceticismo geral.

      Já que o momento é de “rasgação de seda” :-) seu site ficou muito bom, precisamos de mais fontes como essa.

      Um forte abraço.

  2. Alguem com vasto conhecimentono site da anatel poderia averiguar se éssa noticia realmente tem fundamento e foi aprovada pela anatel? Pois a noticia foi dado Por um Orgão serio!

    http://www.comunidade.sebrae.com.br/servicos/Artigos+e+noticias+sobre+o+setor/36359.aspx

    1. Que eu saiba, explicitamente, a Anatel não fala em parceria, mas os termos da notícia é aceita pela própria desde que obedecido vários detalhes. Um dos mais importantes a notícia cita, quem tem o contrato com o cliente final é o detentor da SCM. Nesse assunto, o melhor é pesquisar empresas SCM idôneas, conhecedoras da legislação e seguir rigorosamente todos os detalhes solicitados.

      Tão logo possível, obter sua própria licença.

      Quanto ao valor reduzido para licenças regionais, esse assunto está meio esquecido e ninguém sabe se sairá mesmo do papel.

      Leia mais em http://www.bdibbs.com.br/mikrotik/scm

Comente