Barack Obama e uma nova forma de fazer política.


Foto Mandic

No dia 5 de novembro de 2008, às 11 e meia da manhã, Barack Obama teve certeza de que estava eleito. Pouco depois, seus seguidores no Twitter recebiam um histórico tweet de 20 palavras, em agradecimento. Naquele momento, cada seguidor havia acabado de receber um agradecimento pessoal e exclusivo – ainda que direcionado a todos – do presidente eleito. Por causa disso, a campanha de Obama acendeu em todos os marqueteiros do país a idéia de que a Internet será fundamental para a vitória de qualquer um. Hoje, em plena campanha para as eleições de 2010, eles estão por aí atualizando sites e postando informações em todas as redes sociais disponíveis, exatamente como fazem ao imprimir santinhos, folders e quaisquer outras peças publicitárias. Quero dizer: comunicação unidirecional.

Poucos entenderam que aquele post de Obama no Twitter era muito mais do que um agradecimento. Na verdade, aquele post mostrava que, mesmo depois de eleito, o novo presidente continuava em contato direto com os seus eleitores. A conexão continuava viva.

Até que a internet aparecesse, a única maneira que existia de entrar em contato com o eleitor era ir pessoalmente aonde ele estivesse – fosse sua casa, o sindicato, o clube, a associação de amigos do bairro ou a praça pública. Fora isso, não havia alternativa. Depois, ainda havia o rádio e a televisão, mas nesse caso a comunicação era de mão única. Da propaganda impressa, então, nem vale a pena falar – é texto e imagem sem vida.

O aparecimento da internet, no entanto, foi capaz de colocar o candidato e o seu eleitor face a face. Mas, muito mais importante do que isso, é que a internet nos aproxima e nos mantém unidos. Só que essa coisa de nos aproximar e nos manter unidos como comunidade funciona para o bem e para o mal. Então, candidato honesto, disposto a trabalhar e com um projeto de qualidade, consegue trabalhar dentro de sua comunidade na internet, consegue fazê-la crescer por meio das redes sociais e também consegue difundir suas idéias.

Essa parte é magnífica: você pode mandar seu plano de trabalho, seus santinhos, e tudo chega imediatamente, sem custo. Por outro lado, pode discutir suas idéias, debatê-las a qualquer momento, modificá-las com os aperfeiçoamentos que todos vão enviando, e desse modo o plano de trabalho deixa de ser exclusivamente seu, passa a ser da comunidade toda. Aí começa, então, a verdadeira democracia participativa, porque depois de eleito você tem de executar um plano que não é mais o seu. É o plano do seu eleitorado. É apenas para isso que você está sendo eleito.
Bom, o transcurso da campanha precisa ser feito de tal modo que a interação com os eleitores seja mantida plenamente viva. O candidato não pode mais abrir mão da comunicação com toda a base conectada a ele, sob pena de perder todos os que se conseguiu conquistar direta e indiretamente. Cada tweet, cada post, cada conexão se propaga em milissegundos e atinge pessoas que conhecemos. Leva a elas nossas opiniões, nossas opções, nossas preferências. E as nossas escolhas, sugestões e indicações, declaradas e assinadas, são capazes de influenciar o pensamento daqueles que estão em contato conosco, via internet, das mais diversas maneiras.

Ao final da campanha, ainda que não tenha sido eleito, um candidato contará com um patrimônio em conexões sociais muito maior do que possuía antes, e caberá a ele o trabalho de mantê-la. Mas se for eleito, é provável que a própria comunidade mantenha as conexões vivas, pelas mesmas razões que a de Obama no Twitter: é que ela finalmente elegeu um candidato, e finalmente vai poder monitorá-lo, falar com ele, cobrar o que não foi feito, modificar os planos. Numa palavra: participar.

Então, voltando ao post de Obama depois da vitória, o que está escrito ali, na verdade, não é o que está nas palavras. O que está escrito ali é o seguinte: “Você ajudou a eleger, você vai participar do governo. A conexão continua viva.”

Aleksandar Mandic

Aleksandar Mandic, criador, em 1990, do Mandic BBS e um dos pioneiros do mundo online brasileiro. Foi sócio-fundador do iG, criador do mandic:mail e hoje é candidato a deputador federal pelo estado de São Paulo. Promete uma campanha 100% digital: www.mandic.blog.br/home.php.

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